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Uma frase muitas vezes não ... dita, mas que passa na cabeça dos políticos.



A política é a arte da impessoalidade. Cada acção é como o instante de uma centelha que escapa da ordem da generalidade. A política é a administração desta ordem. “Que valor tem uma acção face à complexidade do mundo?” Assim argumentam os anestesiados no torpor duplo de um Si[1] que é ninguém e de um Mais tarde que é nunca. 

A burocracia, criada fiel da política, é o nada administrado para que Ninguém possa agir. Para que ninguém reconheça a sua responsabilidade na irresponsabilidade generalizada. O poder já não diz que tudo está sob controlo, diz pelo contrário: Se nem eu dou conta do recado, imagine-se outro qualquer no meu lugar “. A política democrática está hoje em dia baseada na ideologia catastrófica da emergência (” Ou nós ou o fascismo, ou nós ou o terrorismo, ou nós ou o desconhecido”). 

A generalidade, mesmo a de oposição, é sempre um acontecimento que não acontece nunca e que apaga todos aqueles que acontecem. A política convida toda gente a participar no espectáculo deste movimento imóvel.

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